terça-feira, 23 de agosto de 2011

ÍNDICE de POEMAS e DICIONÁRIO de RIMAS

POEMAS deste índice estão inseridos no SITE http://www.jorgedasneves.com/  em CARROSSEL
Índice A: 1/  O  DOCE MISTÉRIO DA VIDA  2/ QUEM SÃO OS MORTOS    3/ IDOSOS e DELINQÜENTES  4/  OURO  NATIVO 5/ AS  POMBAS    6/ MULHERES DOIDAS, SANTAS e AS FINGIDAS 7/  LEI  É  PARA  VALER     8/ PONTO  DE  VISTA  9/  DUAS ALMAS NA DISTÂNCIA  10/ SECRETO AMOR  em MANDARIM > マンダリンアップロード(ウィキメディア・コモンズ)

“ ... a salvação da lavoura poética.”  
 CARLOS  DRUMMOND  DE  ANDRADE

O DOCE MISTÉRIO DA VIDA *


 POEMAS deste índice fazem parte do CARROSSEL
1/   O  DOCE MISTÉRIO DA VIDA   2/   QUEM SÃO OS MORTOS   3/  IDOSOS e DELINQÜENTES     4/  OURO  NATIVO 5/ AS  POMBAS   6/ MULHERES DOIDAS, SANTAS e AS FINGIDAS              7/  LEI  É  PARA  VALER      8/   PONTO  DE  VISTA   9/  DUAS ALMAS NA DISTÂNCIA               10/  SECRETO AMOR em MANDARIM             >  マンダリンアップロード(ウィキメディア・コモンズ)

1/ M O T E :
 são meus versos bonitos e rimados
e os dicionários... bela salvação (do JO®GE)
GLOSA:
Quando aprendi metrificar gostei
e me tornei galã das namoradas,
que eram minhas princesas e eu, o rei
das poesias que ouviam declamadas.
Olhos azuis ou verdes adorados,
enchiam  olhos meus de adoração
: são meus versos bonitos e rimados
e os dicionários... bela salvação (do JO®GE)

Foi no Pedro II que aprendi
a ser poeta com meus professores.
Em espanhol, latim, francês... eu vi
como os poetas mostram seus pendores.
Ali  vivi meus anos mais dourados
e onde encontrei minha real paixão
: são meus versos bonitos e rimados
e os dicionários... bela salvação (do JO®GE)

Nem olhos verdes, nem azuis... castanhos,
de uma menina de ternura plena,
com seus poderes. Eles, por tamanhos,
são segredos da Musa Marilena.
Sentimentos por ela conquistados
não  são secretos, mas direi que são...
: são meus versos bonitos e rimados
e os dicionários ... bela salvação (do JO®GE)
JO®GE DAS NEVES
* O DOCE MISTÉRIO DA VIDA
Ilustração musical na interpretação Ímpar
de MARIA BETÂNIA    

QUEM SÃO OS MORTOS

2/ M O T E :

No son los muertos los que en dulce calma

la paz disfrutan de la tumba fría,

muertos son los que tienen muerta el alma

y viven todavía....

Autor:Antonio Muñoz Feijoo (1851<>1890)


G L O S A :

Há pessoas que vivem sem viver,
sem horizonte, em mundo tão pequeno

que desconhecem mínimo prazer

a não ser a frieza de um sereno.

Essas pessoas têm da vida a palma?

Será que são felizes noite-e-dia?

: No son los muertos los que en dulce calma

la paz disfrutan de la tumba fría,

muertos son los que tienen muerta el alma

y viven todavía....

Felicidade é ter vida parada,

dar milho aos pombos numa praça morta?

É sempre andar nos cantos da calçada

parando às vezes só de porta em porta

e, ali parado, olhar e bater palma

sem que se abram portas de alegria?

: No son los muertos los que en dulce calma

la paz disfrutan de la tumba fría,

muertos son los que tienen muerta el alma

y viven todavía....

Assim pergunto e é só curiosidade,

porém não tenho nada a ver com isso...

Há coisas bem melhores na cidade

e fujo de tristonho compromisso.

Versejo apenas e poesia acalma

com meu pouquinho de filosofia

: No son los muertos los que en dulce calma

la paz disfrutan de la tumba fría,

muertos son los que tienen muerta el alma

y viven todavía....

JO®GE DAS NEVES




IDOSOS e DELINQÜENTES

3/ MOTE:               
genial pôr idosos na cadei
e  deixar delinqüentes pelos lares...
(De Jo®ge)
GLOSA:
Idosos não são podres, nem são  lixo,
merecem ser tratados com capricho.
Não pense num idoso como morto,
pois na cadeia ele terá conforto,
segurança, visitas bem tranqüilas,
jamais problemas ou as duras filas...
Mas delinqüentes sofrerão na veia,
entregues  às baratas e aos azares
: genial pôr idosos na cadeia
e  deixar delinqüentes pelos lares...

Os idosos escolham terapias,
muitas  farras, mulheres, alegrias,
quentinhas  refeições a toda hora,
serão tratados com respeito e brio,
turísticos  passeios pelo Rio...
Com os delinqüentes a questão é feia,
bem  ao sabor de todos os  azares
: genial pôr idosos na cadeia
e deixar delinqüentes pelos lares...

Na cadeia os idosos  terão tudo,
televisão   a cores, criado-mudo,
visitas  íntimas, banhos de sol
as  cervejas melhores que uma Skol,
viagens  de avião pelo país,
sentindo    quanto vale ser feliz.
Mas delinqüentes, sem sapato e meia
serão até mendigos  pelos bares
: genial pôr idosos na cadeia

e deixar delinqüentes pelos lares...

JO®GE DAS NEVES



O U R O N A T I V O


4/ mote :            
: ouro nativo, que na ganga impura                          
a bruta mina entre os cascalhos vela...
Soneto de OLAVO BILAC (Rio de Janeiro, 1865<>1918)
Glosa :
Aos doze anos rimando eu versejava,
fazia versos simples como as flores,
com puella* bonita festejava,
formava meu harém com tais amores.
Posso dizer que essa literatura
em mim persiste como uma aquarela
: ouro nativo, que na ganga impura
a bruta mina entre os cascalhos vela...

Poemas clássicos sempre adorei,
os lia sempre e agora mais os leio,
metrificando bem rimar eu sei
e entre os poetas eu não faço feio
Procuro aprofundar-me na cultura,
buscando em versos a expressão mais bela
: ouro nativo, que na ganga impura
a bruta mina entre os cascalhos vela...


Assim persisto em versejar maduro,
alguns achando que sou superado,
mas consciente do que sou procuro
ser um poeta em mim muito centrado.
Se bem me explico e se o leitor me atura,
vivo feliz nesta paixão singela
: ouro nativo, que na ganga impura
a bruta mina entre os cascalhos vela... 

* puella (latim) = menina, moça
JO®GE DAS NEVES




A S P O M B A S

5/ MOTE:      
                   Vai-se a primeira pomba despertada...
vai-se outra mais... mais outras... enfim dezenas..
  do soneto AS POMBAS, de Raimundo Correa (Maranhão 1859<>1911)

GLOSA :
Adolescente, meus  amores tive,
amei  moçonas, namorei  pombinhas,
fui muito apaixonado e, inclusive,
tratava  todas elas, como minhas.
Na adolescência a vida era apertada
e às vezes dava-lhes um beijo apenas
: vai-se a primeira pomba despertada...
vai-se outra mais... mais outras... enfim dezenas...

Ao conseguir  o meu primeiro emprego,
pude  levá-las todas ao cinema,
para firmar namoro e meu apego,
mas com respeito e se nenhum  problema.
De repente eu amava...  Era uma fada,
uma visão com asas, mas sem penas
: vai-se a primeira pomba despertada...
vai-se outra mais... mais outras... enfim  dezenas...

Ao me casar bem jovem, tomei  jeito
e não quis mais saber de ter pombais,
tornando-me o marido mais direito,
do tipo que não trai, nunca, jamais!
Na minha vida sempre comportada,
por ser poeta rimo com as falenas
:  vai-se a primeira delas  despertada...
vai-se outra mais... mais outras... enfim  dezenas...
JO®GE   DAS   NEVES