terça-feira, 23 de agosto de 2011

DUAS ALMAS NA DISTÂNCIA

9/ MOTE (alexandrino) :
...ó tu que vens de longe, ó tu que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho...
Soneto “DUAS ALMAS”, de ALCEU WALMOSY (Rio Grande do Sul, 1895<>1923)

GLOSA:
De lágrimas não falo enquanto houver distância,
nem quero que meu verso a ti leve tristeza,
pois mando-te uma flor de sonhos em fragrância,
para falar de amor em máxima leveza.
Distante estás agora e assim por mim sonhada,
buscando aqui chegar, tão longo esse caminho
: ó tu que vens de longe, ó tu que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho...

O carinho desfaz o pranto da saudade,
espanta a sensação estranha de vazio,
a longitude triste e a nebulosidade
que imprime dentro d’ alma um caudaloso rio..
Que em breve esta saudade esteja superada
e tire do seu peito os lances de um espinho
: ó tu que vens de longe, ó tu que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho...

Enquanto vivo assim, batalho com a tristeza
e sei que vencerás e juntos venceremos.
Pressinto essa vitória e a chama vejo acesa
com a luz que por amar bem dentro d’ alma temos.
Enquanto cronometro o instante da chegada
preparo em minha casa especial cantinho
: ó tu que vens de longe, ó tu que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho...

JO®GE DAS NEVES



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